Resenha - A Hora Da Estrela

segunda-feira, março 14, 2016



 (Foto: Acervo pessoal @noitedeoutono.blog) 

Começarei esse post pedindo mil desculpas pelo “abandono” do blog, acabei deixando o Noite de Outono um pouquinho de lado pra me dedicar um pouco mais aos trabalhos e provas do fim do semestre e aproveitar melhor minhas férias em casa, mas agora voltei com tudo e podem aguardar que vem muita novidade e coisa legal por aí.

Pra começar esse ano muito bem trago uma resenha do meu livro favorito desse mundo (e de todos os outros).

Título: A Hora da Estrela
Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco
Páginas: 88


 
Sinopse: A história da nordestina Macabéa é contada passo a passo por seu autor, o escritor Rodrigo S.M. (um alter-ego de Clarice Lispector), de um modo que os leitores acompanhem o seu processo de criação. À medida que mostra esta alagoana, órfã de pai e mãe, criada por uma tia, desprovida de qualquer encanto, incapaz de comunicar-se com os outros, ele conhece um pouco mais sua própria identidade. A descrição do dia-a-dia de Macabéa na cidade do Rio de Janeiro como datilógrafa, o namoro com Olímpico de Jesus, seu relacionamento com o patrão e com a colega Glória e o encontro final com a cartomante estão sempre acompanhados por convites constantes ao leitor para ver com o autor de que matéria é feita a vida de um ser humano.


Classificação: Favorito


"O fato é um ato? Juro que este livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta." (pág 17)

Devo confessar que já li A Hora da Estrela diversas vezes e em todas essas vezes não me recordo de uma em que não tenha chorado. Ele é um livro bem pequeno, com certeza o menor dentro os que possuo, porém é o meu favorito.

O livro é narrado por Rodrigo S.M e conta a história da jovem Macabéa de 19 anos, que sai de Alagoas para o Rio de Janeiro depois de perder sua tia, com quem vivia até então. Macabéa é retratada como uma mulher alienada e feia (afinal o que é ser feia?), trabalha como datilografa e passa seu tempo livre ouvindo ao Rádio Relógio em sua casa onde mora com mais 4 moças ou as 4 Marias.
No decorrer da história ela se apaixona por Olímpico de Jesus, um metalúrgico também nordestino que a trata muito mal durante todo o breve relacionamento deles, talvez porque diferente de Macabéa ele gostava de fingir que sabia das coisas e o jeito escasso de Macabéa acaba por cansá-lo, e ele acaba ficando com sua colega de trabalho Glória. A vida de Macabéa muda completamente quando ela decide visitar uma cartomante depois de um conselho de Glória.

O narrador-personagem, Rodrigo S.M é bem interessante, pois no decorrer do livro ele vai contanto toda a história de Macabéa e até se identifica um pouco com ela, você vai percebendo, que no decorrer da leitura, assim como Rodrigo vai amando e odiando Macabéa você também vai. E isso acaba por deixar transparecer algumas características da própria Clarice.

O livro retrata bem a leviandade humana, Macabéa não tinha nada e a única coisa que ela “tinha”fora roubado dela por sua 'colega', mas ela não conseguiu nem se posicionar sobre isso tudo, mesmo com toda a humilhação da situação.

"Já que sou, o jeito é ser." (pág 34)    



(Foto: Acervo pessoal @noitedeoutono.blog) 

Essa situação de Macabéa é evidente desde o seu nascimento. Perdeu os pais aos 2 anos de idade e foi criada pela tia beata que a maltratava bastante.

Esse livro me fez refletir muito sobre a insignificância humana e ao mesmo tempo me fez notar como a insignificância de Macabéa era significativa pra mim, quero dizer, eu realmente me identifiquei com a vida daquela garota, com seus pensamentos e angustias. Muito do que Clarice escreve ali, eu encarei como metáforas para coisas da minha vida, como por exemplo a espera de Macabéa pelo seu salário todos os meses para que ela pudesse finalmente ir ao cinema e beber coca cola, é óbvio que essa não é minha única ambição, mas todo mundo espera pelo momento que vai poder realizar um desejo a muito aprisionado e Clarice retrata isso com uma impressionante fidelidade a vida real.
Clarice esboça também os anseios e a complexidade por trás da vida, do medo da morte e do sentido das coisas. O final desse livro é tão surpreendente que você vai sentir como se sem esperar tivesse levado um tiro ou um chute no estômago, o decorrer da história não te prepara (nem da forma mais sutil possível) para esse final, você nem desconfia do que vai acontecer até que acontece, e quando acontece você permanece sem acreditar (ao menos foi assim comigo).

COISAS IMPOSSÍVEIS DE NÃO FAZER COM ESSE LIVRO:
  • Chorar;
  • Sentir uma vontade inexplicável de grifar cada frase maravilhosa que Clarice escreveu;

Termino essa resenha dizendo que indico esse livro maravilhoso pra cada um dos meus leitores, pra cada pessoa do mundo, leia para o seu cachorro, seu passarinho, suas plantas (sério) todo ser vivo deveria ouvir a historia de Macabéa.

E aí, gostou dessa resenha? Deixe sua opinião aqui nos comentários, já leu o livro? Sentiu vontade de ler? Me conta tudo, vou adorar saber. Não se esqueça de curtir a Fanpage do blog pra não perder nenhuma novidade. Um grande beijo e até mais.

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